Qual é o futuro do diálogo direto / face-2-face?

Atualizado: Nov 10


Não existe nenhuma dúvida que F2F (diálogo direto) é uma fonte poderosa na aquisição de doadores e representa a principal porta de entrada de recursos para muitas organizações.  Milhares de captadores todos os dias estavam nas ruas, embaixadores de causas, falando com muita gente, inspirando pessoas comuns como eu e você a doar.


A pandemia trouxe um grande desafio para esse modelo tão sólido: #ficaemcasa. Captadores ao redor do mundo saíram das ruas, os números de novos doadores regulares despencaram, projetos foram afetados, organizações replanejando e remanejando o investimento, agências como a nossa (Tools4Change) e organizações trabalhando lado a lado para encontrar alternativas para o agora e para o futuro. Todos tiveram que se reinventar!


O segundo Congresso Global de F2F foi realizado hoje e contou com vários especialistas globais compartilhando suas experiencias. Foram quatro painéis cheios de insights, visões de futuro e muitos questionamentos.


O primeiro painel fez uma reflexão sobre o momento atual com uma visão otimista. Por exemplo sobre contratação de pessoas, um dos grandes desafios do crescimento. Crises financeiras permitem a contratação de pessoas mais qualificadas, encontramos pessoas mais alinhadas com a causa. O novo desafio é encontrar pessoas flexíveis e que se adaptam a vários canais.


A segunda conversa, a Nova Cara do F2F, foi incrível. O foco foi o captador. Trabalhamos muito na jornada do doador, o que ele recebe, o que oferecemos, como cultivamos o doador.  E a jornada do captador? Sabemos o sucesso do programa depende de quem está cara a cara com o doador. A jornada do captador está bem preparada?


Desenvolver a jornada do captador pode ser um dos fatores de sucesso de um programa interno ou externo de F2F. Como recrutamos, treinamos, desenvolvemos, apoiamos o crescimento. Quais oportunidades oferecemos. Como engajamos e promovemos o crescimento das pessoas e das equipes. Nós aqui já fizemos vários testes e estamos buscando mais tecnologia para a gestão dos captadores, incluir gamificação para promover o engajamento e o desenvolvimento entre outros pontos. Também foi abordado os novos modelos de captação e adaptação dos captadores a outros canais como o VMS (video message storytelling) testado com sucesso no Canada por uma agência. Uma forma que o captador pode se conectar e transmitir a sua paixão para o potencial doador através de uma mensagem de vídeo. Nós testamos esse modelo aqui no Brasil, acredito também que esse é um caminho, mas precisamos melhorar o modelo por aqui e ir além, sem acomodação para a realização de novos testes.


O terceiro painel foi sobre métricas e como avaliar os programas. Coletamos muitos dados e isso é essencial para a tomada de decisão. Com a pandemia, muita coisa mudou e ainda não temos dados suficientes. Por exemplo, locais que antes funcionavam muito bem, não necessariamente funcionam hoje. Agora no pós-pandemia, precisamos ir além dos dados.  A mistura do instinto com dados gera o melhor resultado!


Mais alguns pontos e insights sobre o momento atual e as perspectivas de futuro do evento:

  • A volta das equipes foi bem recebida pelo público. Não foram notadas reclamações, pelo contrário, as pessoas foram mais receptivas e as médias de doação não caíram. Sentimos o mesmo aqui no Brasil também.

  • A flexibilidade dos captadores em se adaptarem a outros canais foi impressionante e notada no mundo inteiro.

  • Todos estão buscando alternativas para a melhoria dos programas de F2F, redução do contato físico, facilitando o processo de doação e colocando o doador no controle da doação. Aqui estamos testando os recibos digitais para eliminar 100% o papel e contato. Enquanto isso, utilizamos canetas de uso exclusivo do doador que estão embaladas uma a uma, não retornáveis, e que se tornam o brinde da doação.

  • A combinação de canais como telemarketing e digital gerou oportunidades e flexibilidade para a realização de testes e flexibilidade para encarar novos desafios.

O quarto painel sobre o Futuro do F2F também trouxe muita inspiração e validação para o que já estamos fazendo por aqui como os dois pontos abaixo.


A relação entre as agências e as organizações ficou mais forte. Muitas organizações moveram os captadores das ruas para outras atividades, inclusive os das agências. Captadores trabalhando no cultivo e retenção de doadores deram uma visão mais ampla do programa de captação de recursos. Foi notado também um maior engajamento dos captadores na volta ao trabalho nas ruas, os resultados foram iguais ou maiores aos resultados prévios, isso também aconteceu aqui.


Recrutamento e treinamento virtual também estão nas atividades que foram implementadas por muitas agencias e organizações ao redor do mundo. Nós já desenvolvemos um programa completo de treinamento que está sendo bem recebido pelos captadores e temos captadores mais preparados para o seu primeiro dia nas ruas, trazendo mais motivação também. O recrutamento é 100% virtual aqui também.


Para finalizar, Captadores de Recursos se conectam com as pessoas que estão nas ruas, transmitem a sua paixão pela causa, inspiram as pessoas, fazem o pedido que gera a doação, durante o processo recebem diversas recusas e não desanimam, pois um sim já faz a diferença. Nem todas as pessoas possuem esse conjunto de habilidades, essenciais para o sucesso de um programa de F2F.  Precisamos cuidas dos captadores. Nosso desafio agora é como desenvolvemos alternativas diminuir a incerteza do momento atual e geramos oportunidades de crescimento e desenvolvimento para essa força gigante e essencial para o crescimento da captação de recursos de forma sustentável e previsível para muitas organizações.


O futuro ainda é incerto, mas está cheio de oportunidades, precisamos ser flexíveis e criativos para trilhar esse caminho.


Flavia Lang Revkolevsky (ABCR 143), Tools4Change


Fonte: ABCR

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