Profissionais e o trabalho no ESG

Que a temática ESG está na moda é verdade. Agora, que as grandes empresas estão com dificuldade de encontrar pessoas capacitadas para tal área, é uma realidade

Para quem está buscando trabalho na área ou está se informando sobre este mercado, é bom estudar bastante.

A temática do ESG, o acrônimo para Environmental, Social e Governance, que em português ficaria Ambiental, Social e Governança, está cada dia mais em alta. Se colocamos o termo no Google Trends, a ferramenta que mostra as buscas nos últimos cinco anos no Brasil, vemos um crescimento a partir de junho de 2020, com picos em setembro de 2021 e no começo deste ano. Por curiosidade, o termo sustentabilidade, desde 2004 na análise do Google Trends, tem o seu pico inicial também no Brasil, em novembro de 2010.


Mas não é só nas buscas na internet, mas também é possível acompanhar a quantidade de palestras, debates, matérias nos jornais, sites e revistas. Fora o aumento de cursos sobre ESG nas mais diversas faculdades tradicionais como as não tradicionais, além de várias pós-graduações online, híbridas, presenciais e afins.


Recebo também os cursos específicos da área sobre relatórios de sustentabilidade, GRI, SASB, como escrever um relatório de sustentabilidade, auditorias ambientais, certificações ISO, comunicação e sustentabilidade, como entrar na área de ESG, compliance ambiental e social, governança para iniciantes, enfim, muitos e muitos.


Está certo que na minha bolha das redes sociais dos algoritmos só existe ESG, sustentabilidade e empreendedores de impacto social e ambiental tentando fazer todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. Parece irônico, mas talvez se minha bolha não fosse uma bolha, o mundo e as pessoas estariam bem melhor.

Mas esta não é a realidade! Nas minhas aulas sempre coloco que a evolução da nossa estadia aqui no Planeta Terra está ficando cada vez mais complexa. Por exemplo, para as empresas que antes tinham que produzir e entregar o produto ou o serviço; agora têm que produzir, comunicar, criar desejo, concorrer, vender, analisar o pós-venda, entender a jornada do consumidor, analisar o UX (user experience), pesquisar o que deu certo, etc. Pois é, e ainda precisam gerenciar os seus impactos sociais e ambientais, gerenciar e apoiar os stakeholders, ver suas externalidades, mensurar o engajamento dos colaboradores etc. Em razão desta complexidade citada, o trabalho e os profissionais do ESG estão sendo requeridos.


Como tenho muito contato com estudantes, ex-alunos e alunas e profissionais do mercado acabo percebendo também uma onda de pessoas querendo entrar nesta área. Inclusive, faço uma curadoria de vagas no LinkedIn toda semana, para me atualizar, para divulgar e para saber o que o mercado está exigindo. Minha amiga Sonia Favaretto, uma super referência na área ESG, inclusive, citou esta minha ação voluntária no seu último artigo com dicas de como entrar nesta área.


Mas afinal, realmente estão sendo criadas muitas vagas nesta área? Ou é só uma percepção enviesada?


Que a temática está na moda é verdade. Agora, que as grandes empresas estão com dificuldade de encontrar pessoas capacitadas para tal área, é uma realidade. Tenho acompanhado algumas vagas por meses que parecem não fechar, além de contatos pessoais de headhunters pedindo indicações específicas. Tenho visto também muitas mensagens de pessoas saindo de uma empresa e indo para outra nesta mesma área. Às vezes, percebo a dificuldade das empresas de descreverem as vagas específicas. São muitas dificuldades nesta área em crescimento.


Na Abraps, Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável, que tenho a honra de ser o idealizador e um dos fundadores, criamos o programa Fellows, que já está terminando a sua terceira turma, com profissionais nesta área em começo de carreira e que serão os futuros líderes. A troca de conhecimento e informações é maravilhosa, principalmente, quando temos o prazer de contar com profissionais que iniciaram a temática no país palestrando e debatendo para o desenvolvimento pessoal e profissional destes Fellows. Além disso, existe a oportunidade de mentorias voluntárias com cada um dos participantes com estes pioneiros do Brasil.


Para quem está buscando trabalho na área ou está se informando sobre este mercado, é bom estudar bastante, pois assim como em todas as áreas existem os aproveitadores que estão fazendo mentorias e orientações sem ter trabalhado ou conhecer profundamente a área. Muito cuidado! O importante é que continuamos na nossa busca pelo desenvolvimento sustentável e pelo termo mais técnico da empresa: o ESG, seja juntos na Abraps, empresas, ONGs, negócios de impacto social e ambiental, ou, ainda, na Academia. E precisamos de mais e mais pessoas para trabalharem e serem profissionais que se dedicam ao que realmente importa para as pessoas e para o mundo. Venha ser um profissional pelo desenvolvimento sustentável!

 

Marcus Nakagawa é professor da ESPM e coordenador do ESPM de Desenvolvimento Socioambiental.