Pesquisa global detalha as tendências em práticas de doações digitais e modelos inovadores

Primeiros relatórios analisam a atividade filantrópica no Brasil e no Reino Unido e identificam demanda de doadores por transparência e crescimento em doações digitais


Iniciativa da Lilly Family School of Philanthropy, da Universidade de Indiana (EUA), a série Digital for Good: estudo global sobre modelos emergentes de doação é lançada com capítulo brasileiro, desenvolvido em parceria com o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, e inglês, realizado com a Charities Aid Foundation (CAF). A série narrará descobertas e insights sobre tendências em modelos de doação para organizações da sociedade civil (OSCs), como crowdfunding, doações online, doações viabilizadas pelo uso do celular, doações no local de trabalho, voluntariado online e iniciativas de impacto social.

O material complementa outros estudos sobre o ecossistema filantrópico promovidos pela Escola – o Global Philanthropy Environment Index e o Global Philanthropy Tracker. Ao longo de cinco meses, serão lançados novos capítulos, contemplando perfis de outros seis países – África do Sul, China, Coreia do Sul, Índia, Quênia e Singapura. Em cada um, organizações ou especialistas locais foram responsáveis pela condução da pesquisa para identificar tendências específicas, moldar a coleta de dados e interpretar os resultados, sempre com o suporte e supervisão dos pesquisadores da Lilly Family School of Philanthropy. A série foi financiada com o apoio da Fundação Bill & Melinda Gates.

“Expandir a pesquisa sobre filantropia global, introduzindo esses estudos, nos permite entender melhor as tendências em constante evolução da filantropia e examiná-las em países com cenários filantrópicos variados”, diz Una Osili, Ph.D., reitora associada de Pesquisa e Programas Internacionais da Lilly Family School of Philanthropy. “Ao identificar e entender os modelos emergentes de doação, contribuímos para que lideranças de organizações da sociedade civil fortaleçam sua estrutura de captação e possam ampliar seu impacto positivo.”

Os dois primeiros perfis de países examinam o envolvimento filantrópico no Brasil e no Reino Unido antes e durante a pandemia de Covid-19. Ambos os países relatam uma expansão de canais para doações, cujas soluções passara a contar cada vez mais com tecnologia. Os perfis de ambos os países se concentram em modelos emergentes e em expansão de doação: doações online e crowdfunding no Reino Unido e, no Brasil, modelos relacionados a microdoações, como o arredondamento do valor das compras em redes varejistas e a venda de produtos sociais, que envolve a produção de conteúdo editorial inspirador e gerador de receita destinada a organizações sem fins lucrativos, além de uma plataforma de doação.

Brasil – principais destaques:

As iniciativas selecionadas para participar do relatório representam diferentes modelos de doação que amadureceram ao longo dos anos. As histórias do Arredondar, BSocial e Editora MOL se destacam e podem ser inspiradoras para outras pessoas e organizações. A escolha não se deu porque são as únicas a aplicarem o modelo, mas porque contribuem para a compreensão da diversidade dos mecanismos de doação no Brasil.

MODELOS INOVADORES CONTRIBUEM PARA O FORTALECIMENTO DA CULTURA DE DOAÇÃO.

Os estudos de caso sugerem que novas abordagens de doação estão se consolidando no Brasil. Isso inclui plataformas de doação, doar por meio de arredondamento do valor das compras em redes varejistas e por meio da compra de produtos sociais – todas elas, práticas que incentivam doações menores e mais frequentes que acomodam contribuições em orçamentos domésticos de todos os tamanhos. Entre 2013 e 2020, as doações para OSCs viabilizadas pelo Arredondar aumentaram exponencialmente – de apenas R$ 1.091 em 2013 para mais de R$ 1,6 milhão em 2020. A Editora MOL também teve crescimento nas doações feitas por meio de seus produtos editoriais: quase um sexto de todas as doações recebidas desde 2008 foram feitas em 2021. E só em 2020, o uso da plataforma de doações BSocial disparou de 600 doadores registrados para cerca de 15.000, resultando em um aumento em quatro vezes nas contribuições a organizações sociais.


“As três iniciativas compartilhadas neste relatório destacam modelos inovadores de doação no Brasil nos últimos anos. Curiosamente, esses modelos não são nativos digitais, mas a tecnologia contribuirá para seu crescimento e expansão, e esperamos que inspirem mais ideias para promover a filantropia”, comenta Luisa Lima, gerente de comunicação do IDIS.


AS INICIATIVAS MAIS BEM-SUCEDIDAS PRIORIZAM A TRANSPARÊNCIA E A RESPONSABILIDADE NA DOAÇÃO.

No Brasil, como em muitos países, as OSCs enfrentam desconfiança ou ceticismo dos doadores sobre o uso do dinheiro e o impacto de sua doação. Modelos que enfatizam a transparência e a responsabilidade podem trazer mais segurança e engajar mais doadores.


“Transparência e responsabilidade são cruciais para o desenvolvimento da filantropia no Brasil”, acrescentou Lima. “Embora os brasileiros sejam empáticos e solidários, há uma atitude subjacente de desconfiança em relação às instituições que recebem doações. A transparência é fundamental para mudar essas atitudes e construir uma confiança renovada dentro do ambiente filantrópico.”

Reino Unido – principais destaques:

AS DOAÇÕES ONLINE AUMENTARAM, ESPECIALMENTE DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19.

Pesquisa online com três mil indivíduos mostrou que a proporção de ingleses que doaram em dinheiro diminuiu significativamente durante o primeiro período de lockdown no Reino Unido, entre março e abril de 2020, e permaneceu em níveis muito mais baixos do que o habitual mesmo após o cancelamento de muitas restrições. Simultaneamente, as doações online mostraram um aumento significativo durante a pandemia. Em média, os doadores entrevistados entre maio e julho de 2021 relataram que 60% de suas doações nos últimos 12 meses foram feitas online. As doações por meio de aplicativos provaram ser a maneira mais comum de doar online, com mais da metade dos entrevistados que doaram online nos últimos 12 meses observando que fizeram doações por meio de aplicativos como JustGiving ou Virgin Money Giving.

UMA EM CADA QUATRO PESSOAS DOOU VIA CROWDFUNDING NOS ÚLTIMOS 12 MESES.

O motivo mais comum para apoiar um pedido de captação de recursos via crowdfunding foi contribuir para a organizações da sociedade civil (30%). Os resultados sugerem que 23% das pessoas doaram para iniciativas estabelecidas por um amigo ou membro da família ou criadas por um amigo de um amigo ou conhecido, enquanto 17% contribuíram para um esforço de crowdfunding estabelecido por alguém que não conhece. Notavelmente, enquanto uma parcela substancial (33%) dos doadores que doaram por meio de crowdfunding ou mídias sociais disseram que responderam a pedidos postados por um amigo, membro da família ou conhecido, muito poucos doadores (4%) indicaram serem motivados a doar por um ‘influenciador digital’.

PEDIDOS ONLINE E OFFLINE GERALMENTE SE REFORÇAM, CRIANDO FORMAS HÍBRIDAS DO NOVO NORMAL EM DOAÇÕES PARA OSCS.

Os pesquisadores descobriram que 63% das pessoas que usaram as mídias sociais para solicitar doações também fizeram pedidos pessoalmente. “Para o Reino Unido, o futuro da captação de recursos parece digital, mas com um forte elemento humano”, disse Alison Taylor, CEO da Charity Services da CAF, que conduziu a pesquisa no Reino Unido. “Embora as doações possam ser realizadas online, os pedidos de apoio geralmente são feitos por um amigo ou membro da família pessoalmente ou pelas mídias sociais.” Esse fenômeno destaca a importância contínua da conexão interpessoal ao engajar possíveis doadores.


“Os resultados dos dois primeiros perfis de países sugerem uma evolução nas práticas de doação e destacam uma expansão significativa das práticas de doação digital e peer-to-peer”, disse Amir Pasic, Ph.D. da Lilly Family School of Philanthropy. “Embora essas descobertas sejam as primeiras de uma série, o crescimento documentado nas doações digitais e as mudanças nas expectativas dos doadores reforçam as evidências de que as práticas digitais podem ajudar a democratizar a prática da filantropia. A inovação digital torna a filantropia acessível e promove maior transparência e conexão das doações com o impacto produzido por elas.

Sobre a Lilly Family School of Philanthropy

A Lilly Family School of Philanthropy da Universidade de Indiana se dedica a melhorar a filantropia para melhorar o mundo, treinando e capacitando estudantes e profissionais para serem inovadores e líderes que criam mudanças positivas e duradouras. A escola oferece uma abordagem abrangente à filantropia por meio de seus programas acadêmicos, de pesquisa e internacionais, e por meio da The Fund Raising School, Lake Institute on Faith & Giving, Mays Family Institute on Diverse Philanthropy e Women’s Philanthropy Institute. Saiba mais em www.philanthropy.iupui.edu


Sobre o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social

Somos o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) fundada em 1999 e pioneira no apoio técnico ao investidor social no Brasil. Com a missão de inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, trabalhamos junto a indivíduos, famílias, empresas, fundações e institutos corporativos e familiares, assim como organizações da sociedade civil em ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país. Nossa atuação baseia-se no tripé geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia estratégica e da cultura de doação. Valorizamos a atuação em parceria e a cocriação, acreditando no poder das conexões, do aprendizado conjunto, da diversidade e da pluralidade de pontos de vista. Saiba mais em www.idis.org.br


Fonte: IDIS