Conheça a importância dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos

Fundos Patrimoniais Filantrópicos, também conhecidos como Endowments, são fundos criados para receber doações destinadas a sustentar causas ou organizações específicas. De um modo geral, os recursos recebidos permanecem no fundo, em aplicações financeiras, e apenas os rendimentos são periodicamente resgatados para custear todo ou parte do funcionamento ou melhorias de organizações sociais, educacionais, de saúde, ambientais, culturais, e outras causas de interesse público.

Paula Fabiani

Em um bate papo, Paula Fabiani, diretora-presidente do IDIS, Instituto de Desenvolvimento para o Investimento Social, a Escola Aberta do Terceiro Setor apresenta os principais aspectos que envolvem a estruturação e a gestão dos Fundos Patrimoniais Filantrópicos e visa responder a seguinte questão: Fundos patrimoniais é hora de fazer?


“A maneira mais simples de explicar o que é o fundo patrimonial é fazer uma analogia como a “poupança” da organização. Um recurso que fica guardado para gerar sustentabilidade a longo prazo,” diz a especialista. “Na maioria dos casos, os fundos patrimoniais surgem com o intuito de perenidade, ou seja, existir para sempre. A ideia no geral é a de preservar o patrimônio captado. A organização usa os rendimentos, descontando a inflação, senão perde o poder de compra desse recurso”, explica Paula.


Quem pode criar um Fundo Patrimonial?

A professora explica: “Os fundos patrimoniais podem ser criados em benefício de uma única organização ou podem ser instituídos para causas. Uma família pode instituir um fundo patrimonial e ter como frente, a educação ou o meio ambiente como causa, ou pode instituir um fundo patrimonial para uma organização já existente.”


Como estruturar um fundo patrimonial?

“Em primeiro lugar, gosto de falar da governança. Esse tem sido um aspecto de muito estudo por parte do IDIS. Usamos bastante tempo no processo de estruturação do fundo patrimonial. Formar um conselho deliberativo (que vai destinar o recurso) como o comitê de investimento, são dois aspectos importantíssimos, são eles que garantem a segurança para o doador. Afinal o doador sempre vai querer e precisa saber: quem cuida do dinheiro que ele vai investir, quem responde pelas estratégias das causas e ações e quem aplica no mercado financeiro,” ressalta a professora voluntária da Escola Aberta do Terceiro Setor.


A especialista pede especial atenção para esse tópico: o perfil dos conselheiros de um fundo patrimonial. Segundo ela, isso é fundamental para que ele tenha sucesso. “Muitas vezes a organização apoiada, aquela que vai receber os recursos, pode ter excelentes conselheiros que contribuem com as decisões estratégicas para o avanço da causa, mas não necessariamente serão os melhores para o fundo patrimonial. A recomendação é: crie órgãos de governança, trazendo diversidade, pensando qual o melhor perfil de conselheiros para que essa estrutura dê certo. No comitê de investimento, pense em quem fará uma boa gestão financeira de aplicações desses recursos”, explica.


Para entender mais sobre o tema, acesse o curso Fundos patrimoniais, é hora de fazer?, na Escola Aberta do Terceiro Setor, onde a professora também explica sobre a importância de uma prestação de contas bem feita. “Tenha um bom sistema de prestação de contas para o doador, seja transparente nas políticas de investimento, política de resgate, isso é muito importante no processo de criação de um fundo patrimonial. Pense nos possíveis conflitos de interesse. Tudo isso é muito relevante para você criar um fundo patrimonial que tenha perenidade”.


Outras informações, acesse: ead.escolaaberta3setor.org.br