A importância do Planejamento para o Terceiro Setor

O planejamento pode ser definido como um processo desenvolvido por uma entidade,

tendo por objetivo alcançar uma situação desejada, de um modo mais eficiente e

consistente. Por meio do planejamento, a instituição estabelece quais as providências

que serão tomadas pelo administrador, quando o futuro tende a ser diferente do

passado.


Por isso, não se deve confundir planejamento com projeção e previsão. Na projeção, a

situação futura, em sua estrutura básica, tende a ser igual ao passado; já a previsão é

o esforço de se verificar, com base em probabilidades, quais serão os eventos que

poderão ocorrer no futuro.


O planejamento é um processo contínuo e exige que o processo decisório ocorra

antes, durante e depois de sua elaboração e implementação. A atividade de planejar,

pela sua própria essência, resulta de decisões presentes, tomadas a partir do estudo

de efeito que essas decisões produziram no futuro.


Hierarquicamente, o planejamento pode ser dividido em dois tipos e níveis: o

planejamento estratégico e o planejamento tático. O planejamento estratégico diz

respeito aos objetivos de longo prazo, com meios necessários para atingi-lo, e os seus

efeitos afetam a instituição como um todo; o planejamento tático diz respeito aos

objetivos de curto prazo e os meios para atingi-lo e, normalmente, afetam apenas uma

parte da instituição.


Planejamento estratégico


Denomina-se planejamento estratégico:


[…] o planejamento voltado para a visão ampla, global de longo alcance da

organização, baseada na análise do contexto. Sua finalidade é buscar alternativas de

ação, sendo normalmente realizado quando da criação da organização ou em

momentos de crise. Em termos ideais, no entanto deveria ser realizado em tempos, de

modo a prevenir crises e a discutir novas perspectivas para a organização. ¹


Em termos de processos decisório, o planejamento estratégico é de responsabilidade

do nível hierárquico mais alto da instituição (órgão deliberativo), que formulará os

objetivos e definirá o curso de ação a ser seguido, consideradas as variáveis dos

ambientes interno e externo à organização.


Já o planejamento tático é de responsabilidade do nível hierárquico interno (órgão

executivo), que tem como objetivo a utilização, da forma mais eficiente possível, dos

recursos humanos e materiais disponíveis para atingir os objetivos formulados, de

acordo com a estratégia estabelecida do planejamento estratégico. O planejamento

tático é uma divisão do planejamento estratégico em partes inter-relacionadas, para

facilitar e melhorar o seu cumprimento, em face da sua menor amplitude e maior

flexibilidade.


Por meio do planejamento estratégico a instituição poderá:


1. Identificar e melhor utilizar seus pontos fortes (variável que lhe proporciona uma

vantagem competitiva no ambiente em que atua);


2. Identificar e eliminar seus pontos fracos (variável que lhe proporciona uma

desvantagem no ambiente em que atua);


3. Identificar e usufruir das oportunidades (forças não controláveis pela instituição que

poderão favorecer a sua ação estratégica, desde que identificadas e usufruídas pela

instituição, enquanto existentes); e


4. Identificar e evitar ameaças (formas não controláveis pela instituição que dificultam a

sua ação estratégica, mas que poderão ser evitadas, se identificadas oportunamente).


A elaboração do planejamento estratégico inclui a identificação de oportunidades e

ameaças, bem como a adoção de estimativas de risco. A alternativa a ser escolhida

deve levar em consideração os pontos fortes e fracos da instituição, assim como a sua

capacidade de tirar vantagem das oportunidades identificadas no ambiente.


Da elaboração do planejamento estratégico deverá resultar: direcionamentos dos

esforços para pontos comuns; assimilação por todos os integrantes da instituição da

missão, dos propósitos, das estratégias, dos objetivos gerais, das políticas e dos

projetos, entre outros.


1 — Extraído de trabalho elaborado sob a coordenação do professor Fernando Guilherme Tenório do Programa de Estatutos de Gestão Social, da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas. 10. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006. Reimpressão 2007, p. 28.


Artigo extraído do livro do procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e professor José Eduardo Sabo Paes: Fundações, associações e entidades de interesse social: aspectos jurídicos, administrativos, contábeis, trabalhistas e tributários. 9ª edição ver. e atual. [2 reimpr] – Rio de Janeiro: Forense, 2018.

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