1ª Mostra GIFE de Inovação Social celebra ampla participação do público


“Esta Mostra é uma possibilidade concreta de responder ao contexto desafiador do país e reforçar que temos uma sociedade civil vibrante que se responsabiliza pelas questões sociais fundamentais. Ainda temos muito a construir e vamos trabalhar cada vez mais por um país mais justo em igualdade e sustentabilidade.” A fala de Neca Setubal, presidente do Conselho de Governança do GIFE, marcou a abertura da 1ª Mostra GIFE de Inovação Social.


Iniciativa do GIFE apoiada por Itaú Social, Fundação Bradesco, Fundação Lemann, Fundação Tide Setubal, Instituto C&A, Instituto Unibanco, Instituto Votorantim e Ford Foundation, o evento buscou evidenciar uma multiplicidade de soluções geradas ou impulsionadas pelo investimento social privado (ISP) nos últimos anos, que respondem aos principais desafios da agenda pública brasileira, tais como saúde, educação, fortalecimento da gestão pública, meio ambiente, geração de trabalho e renda, fortalecimento da sociedade civil, cultura, segurança pública, primeira infância, entre tantos outros.


De 10 a 17 de setembro, quase 300 iniciativas desenvolvidas em diversas partes do país estiveram expostas no Centro Cultural São Paulo em instalações audiovisuais e interativas. São projetos, programas, metodologias, práticas e frentes de desenvolvimento que se relacionam com duas dimensões: ampliação de capacidades de ação coletiva – incluindo cidadãos, sociedade civil organizada, gestão pública, academia e setor privado – e inovação no desenvolvimento de novos modos de enfrentar os desafios do país nas mais variadas camadas e temas da agenda pública.


Além das duas dimensões temáticas, as iniciativas que contemplam esse grande mural de soluções se subdividem em 12 frentes. Fortalecimento da sociedade civil; Fortalecimento da gestão pública; Fortalecimento da academia e ciência; Mobilização social e advocacy; Atuação em rede e colaboração; e Produção de dados e conhecimento compuseram o bloco de fortalecimento de capacidades, abordando os atores e os modos de atuação a ser fortalecidos. Já as subcategorias Segurança, saúde e bem estar; Conhecimento e inserção cidadã; Oportunidades e inserção produtiva; Ambiente e sustentabilidade; Equidade e diversidade; e Instituições, participação e pluralidade fecharam o bloco da inovação na agenda pública, tratando de agendas e mecanismos necessários para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.


“Trabalhamos o tema da inovação não só trazendo projetos que, de alguma forma, são inovadores e aportam para a agenda pública de diferentes perspectivas, mas também na concepção de toda a Mostra, da exposição à programação, que promoveu diversos espaços de reflexão e cocriação a partir de formatos mais colaborativos e horizontais”, destaca Erika Sanchez Saez, curadora e coordenadora geral da Mostra.


Para José Marcelo Zacchi, secretário geral do GIFE, a iniciativa foi o ponto de partida de um esforço de disseminação de boas práticas e experiências. “A exposição deu início a um trilho que vai seguir até o 11º Congresso GIFE, que será realizado em maio de 2020. O Brasil vive um momento de reflexão e, por isso, é preciso afirmar a capacidade de colocar a mão na massa para praticar, testar, experimentar, errar e produzir respostas concretas a esses desafios.”


Percurso interativo


Cerca de 1.600 pessoas passaram pela 1ª Mostra GIFE de Inovação Social. Visitas guiadas foram oferecidas com o intuito de proporcionar um passeio pela atuação da filantropia, do investimento social privado e das organizações da sociedade civil (OSCs) a partir do olhar sobre suas contribuições e seu potencial de impulsionar políticas públicas.


O percurso incluía quatro momentos cênicos. No primeiro, era possível conhecer conceitos, motivações, desafios e dados sobre o campo da filantropia e do investimento social privado no Brasil, expressos nas diversas vozes que compunham a primeira instalação audiovisual. Na sequência, o visitante era apresentado às quase 300 soluções com a possibilidade de conhecê-las mais a fundo por meio de apresentações audiovisuais.


Um terceiro espaço conectava esse grande mapeamento de soluções aos desafios da agenda pública brasileira à agenda global. Por meio de uma mesa interativa, era possível relacionar as iniciativas a cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Uma área de convivência e interação completava o itinerário, na qual o visitante era convidado a contribuir deixando ideias e impressões pessoais para um Brasil mais justo e sustentável e uma sociedade mais feliz.


“A Mostra foi uma iniciativa muito importante, principalmente para disseminar as discussões e os projetos para as pessoas que não são do setor. Precisamos dar mais visibilidade a essas boas iniciativas”, afirma Beatriz Maroni, consultora da Humana Sustentabilidade – que acompanhou uma das visitas guiadas e também participou do Encontro de Fazedores: Ambiente e Sustentabilidade, realizado no dia 12 de setembro.


Espaço de cocriação


Ao longo dos sete dias de exposição, o público também foi convidado a participar de um espaço de encontros para cocriação e compartilhamento de novas ideias materializado em uma programação diária de debates e oficinas nos mais variados formatos e temas da agenda socioambiental e do setor. Encontros de Fazedores, Panoramas, Oficinas de Cocriação, Conversa de Inovação, visitas guiadas e Rodas de Ideias debateram empreendedorismo, cultura de doação, sustentabilidade, comunicação de causas, equidade e diversidade, inovação, filantropia colaborativa, entre outros assuntos.


A ideia do Encontro de Fazedores, por exemplo, foi reunir pessoas dedicadas a temas específicos para debater como enfrentar os desafios na prática. Uma das atividades, cujo tema foi Ambiente e Sustentabilidade, teve entre as iniciativas convidadas a Plataforma Parceiros Pela Amazônia (PPA) – grupo de empresas, OSCs e entidades internacionais que se uniram em 2017 em prol de fomentar novos modelos de desenvolvimento sustentáveis para a Amazônia.



A PPA promove um Programa de Aceleração que apoia negócios e iniciativas voltadas à conservação da Floresta Amazônica, à valorização da biodiversidade e ao desenvolvimento socioambiental da região por meio de capacitações em temas estratégicos para desenvolvimento de negócios, mentorias de especialistas e assessorias sob demanda técnica, jurídica, contábil, entre outras. Entre os aprendizados identificados pela plataforma durante o Encontro de Fazedores está, por exemplo, a necessidade de apoio contínuo para enfrentar desafios inerentes ao ato de empreender na região da Amazônia.


“De cada atividade teremos um produto – em forma de infográficos, vídeos e mapeamento de ideias – que serão publicados para ampliar o diálogo e a reflexão sobre temas centrais da agenda pública e da sua conexão com o investimento social privado.”, explica Erika.


Os produtos gerados durante a Mostra serão disponibilizadas no site da iniciativa, que se configura como o início de um hub voltado à difusão do que o setor do ISP realiza e fomenta.


Erika comemora a amplitude de públicos alcançada pela Mostra. “Tivemos um público muito qualificado. Não só em São Paulo, mas também do interior. Pessoas que estão à frente de iniciativas variadas, que atuam fazendo pontes entre setor privado, sociedade civil e gestão pública e que viram nesse espaço a oportunidade de ampliar a reflexão, contribuindo para a qualificação da sua atuação. E também tivemos a presença da sociedade em geral que se mostrou muito interessada em saber mais sobre esse universo. A iniciativa abriu uma porta de diálogo importante com novos públicos e mostrou um potencial enorme de ampliação do engajamento público nesse movimento cidadão de pensar o que precisamos fazer para avançar nos desafios que temos como coletividade. ”


Colaboração


Um dos objetivos da 1ª Mostra GIFE de Inovação Social diz respeito a evidenciar o que está sendo feito na ponta através da lente da inovação – entendida no seu sentido mais amplo, não somente aquela relacionada às novas tecnologias, mas tudo aquilo que possa ser incorporado como novos formatos para enfrentar os desafios da agenda pública. Nesse sentido, o valor da atuação conjunta, tanto com as organizações da sociedade civil, quanto com a gestão pública, foi um aspecto bastante trabalhado pela iniciativa.


“Uma das premissas dessa Mostra foi apontar que os problemas que temos hoje no país são de todos e a única forma de enfrentá-los é coletivamente. E o potencial da filantropia e do investimento social privado é muito maior quando trabalhado em parceria com a sociedade civil organizada, academia e dialogando com políticas públicas”, afirma Erika.

Para Camila Aloi, coordenadora de Relações Institucionais do GIFE, as organizações da sociedade civil são fundamentais na construção de um processo democrático no país e a Mostra cumpriu com o objetivo de enfatizar ainda mais essa legitimidade e valorizar esse trabalho que vem sendo feito na ponta.


“Nossa inspiração foi dar luz a tudo isso, mostrar quantas possibilidades existem. Além disso, temos o desafio de trabalhar de maneira mais colaborativa, de termos cofinanciamento, de estabelecermos parcerias, para possibilitar a sustentabilidade dessas iniciativas no longo prazo. E vimos isso na Mostra: diversas iniciativas são realizadas por uma ampla rede de parceiros.”


A cerimônia de abertura da Mostra também foi marcada pelo anúncio de um novo edital do Fundo BIS – primeiro fundo brasileiro destinado exclusivamente à ampliação da cultura, volume e qualidade das doações no país. A primeira edição, incubada pelo GIFE, recebeu aportes do Instituto Arapyaú, Instituto C&A, Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e Instituto Cyrela. Ao todo, foram investidos R$ 280 mil em quatro projetos nas seguintes frentes: inovação para promoção da cultura de doação; campanhas de comunicação e produção de conteúdo de incentivo à cultura de doação; pesquisa, produção e disseminação de conhecimento; e advocacy e incidência. Na sua segunda edição, o GIFE passa a ser o gestor do Fundo e amplia seu escopo de atuação para a promoção do campo da filantropia e do investimento social privado no Brasil para além do foco original em cultura de doação. O novo edital será lançado ainda este ano. Mais informação estarão disponíveis a partir de novembro no site do Fundo BIS.


Confira a seguir depoimentos de representantes de instituições associadas ao GIFE que participaram da Mostra:


“É uma iniciativa muito valiosa pela qualidade do alcance e do impacto que essas ações todas que foram expostas significam para os seus respectivos contextos e também pelo momento em que ela está acontecendo, onde existe uma clara campanha difamatória contra as iniciativas socioambientais. Parabenizo a toda a organização da Mostra pela eficiência, pela curadoria das iniciativas expostas, pela qualidade das conversas, pela diversidade que foi impressa, com públicos de muitas tribos participando e tendo voz, e o local de realização do evento também – me pareceu muito especial estar em um centro cultural comunitário com essa importância na cidade de São Paulo.” Glaucia Barros, diretora programática da Fundação Avina


“Avalio que a Mostra evidenciou a diversidade e a capilaridade do investimento social privado no país atuando como fomentador de inovação para fazermos frente aos desafios do desenvolvimento social. As diversas iniciativas apresentadas têm como denominador comum a articulação com diversos segmentos da sociedade. Essa postura articuladora do ISP, de criar pontes, me parece o melhor caminho para avançarmos. A Mostra também reafirma a contribuição e a importância do terceiro setor para o desenvolvimento do país.” Leandro Pinheiro, superintendente socioeducativo da Fundação FEAC


“A Mostra teve um duplo sentido para os investidores sociais que tiveram a oportunidade de participar da programação. Primeiro, trouxe uma reflexão profunda sobre como, em pleno século 21, ainda temos a necessidade de nos debruçar em defesa de temas básicos da área social, como a defesa dos direitos humanos, de crianças e adolescentes e a importância da inclusão de todos na sociedade em que vivemos, sejam negros, brancos, pardos, mulheres, homens, integrantes da comunidade LGBTQI+, deficientes, indígenas e tantos mais que aqui se enquadram. Outro aspecto é perceber como as entidades e organizações da sociedade civil estão mais fortes, buscando o trabalho articulado em redes e apresentando ações inovadoras em busca de inclusão e, principalmente, de desenvolvimento econômico atrelado a desenvolvimento social. Outro ponto forte foi a possibilidade de troca de experiência e trabalho conjunto entre diferentes entidades e organizações. Isso sempre promove novas reflexões e aprendizados.” Cláudia Calais, diretora executiva da Fundação Bunge


Fonte: GIFE

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